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O lugar da cartografia na ciência

Mesa 1
16/09, às 11hs.

Nesta mesa, o diálogo buscará traçar o lugar da cartografia em nossas práticas de pesquisa e em nossas práticas de trabalho cotidiano, uma vez que assumir um fazer cartográfico nos coloca diante de escolhas éticas sobre como enxergamos as tessituras da vida ordinária. O cartógrafo segue tateante, com a atenção ora em dispersão, ora focada. E talvez por isso ele esteja mais apto a lidar com as surpresas da pesquisa e com os movimentos próprios de um objeto que não é propriedade sua. O cartógrafo é aquele que, antes de tudo, experimenta aversão às práticas autoritárias, fascistas e homogeneizantes, razão pela qual lida com seu objeto de pesquisa conferindo visibilidade a suas implicações, ciente de que seus traços identitários são efeitos de subjetivação. Nesse sentido, a pesquisa cartográfica é sempre movente, disruptiva, não linear, talvez espiralada, e, por isso, tão angustiante para aqueles que só entendem a vida como controle da razão e aprisionamento das verdades instituídas.

Raça, gênero e corporeidades: rizomas e discursos

Mesa 3
16/09, às 17hs.

Os participantes desta mesa mobilizarão um referencial teórico-metodológico que convocará teorizações relativas ao modo como raça, gênero e corporeidades se articulam na produção e no cumprimento de perspectivas que determinam políticas de vida e lugares para os sujeitos. Nesta direção, considerando que as práticas discursivas comportam as verdades de um tempo que impactam a vida, o trabalho do analista do discurso consistirá em explicitar aquilo que institui e autoriza a formação, a circulação e as reconfigurações destas práticas singulares. Trata-se, portanto, de uma proposição que, com base em reflexões trazidas à luz pelas reflexões de autores como Foucault, Deleuze e Guattari, faz aliança com as micropolíticas, com devires minoritários, no desejo de disputar sentidos que rompam com poderes instituídos. Deste modo, a atividade propiciará reflexões em torno da desnaturalização de saberes instituídos e da desterritorialização de questões fundamentais da nossa sociedade.

Cartografia dos grupos de pesquisa

Mesa 2
16/09, às 14:30hs.

Nesta mesa, serão apresentados e mapeados os diversos grupos de estudos que trabalham com a perspectiva discursivo-cartográfica, segundo indicação já realizada no formulário de inscrição.

Os debates girarão em torno de questões metodológicas, principais teóricos mobilizados, desafios enfrentados, estratégias utilizadas para avanço dos trabalhos e produtos desenvolvidos pelo grupo. Aos grupos que, não podendo comparecer ao evento, desejaram registrar sua atuação no campo dos estudos cartográficos foi sugerido o envio de uma descrição em até 3 laudas de metodologia(s) desenvolvida(s) em suas pesquisas e até 5 obras da autoria de integrantes do grupo. O objetivo deste encontro, para além do mapeamento de grupos com interesses comuns, é trocar experiências, estreitar relações entre grupos e instituições de ensino pelas cinco regiões do país, compartilhar e divulgar seus produtos, registrando-se, em obra a ser organizada como desdobramento do evento, os desafios e avanços de cada grupo participante.

100 anos de Foucault: perspectivas heterotópicas

Mesa 4
17/09, às 17hs.

A mesa alusiva aos 100 anos de Michel Foucault estará centrada no modo como a noção de heterotopia em suas diferentes articulações tem sustentado perspectivas que abrem espaço para   linhas de fuga que se apresentam como contraponto ao chamado “método científico” na pesquisa acadêmica. Entendidas como dispositivos onde a sociedade projeta suas tensões, medos e fantasias, as heterotopias articulam o visível e o invisível, o permitido e o interdito, instaurando um regime de exceção dentro da ordem do real. São topias onde a sociedade revela a lógica de exclusão e disciplinamento que a sustenta, verdadeiros laboratórios de visibilidade do poder. Nesse sentido, debater a dimensão heterotópica dos discursos em função do desenvolvimento de estudos que não se enquadram nos limites epistemológicos hegemônicos deve constituir um espaço de reflexão e questionamento sobre o próprio fazer científico dos participantes do evento e sobre a validação de seu trabalho.

Afeto, pesquisa e a vida como obra de arte

Mesa 5
18/09, às 17hs.

A Mesa de encerramento do II Simpósio de Estudos do Discurso e Cartografia, intitulada “Afeto, pesquisa e a vida como obra de arte”, evoca centralmente a contribuição de dois filósofos, Baruch Espinosa e Michel Foucault, que são referências para as abordagens discursiva e cartográfica. A mesa tem por objetivo promover interseções pelo potente entrelaçamento da cosmopercepção de Espinosa e do pensamento de Foucault, a fim de tornar possível um ensaio de modos outros de produção simultânea de subjetividade, de pesquisa e de mundo. Com base na ideia de que as pessoas deveriam se afastar dos modelos que lhes são propostos para moldar sua existência segundo se verifica em uma verdadeira criação estética, o que se propõe é que, com base na perspectiva do cuidado de si, a vida não se afaste de um processo de experimentação e estilização pessoal, responsável pela produção de uma estética da existência.

II Simpósio de Estudos do Discurso e Cartografia

Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

 Dias 16, 17 e 18 de setembro de 2026.

©2025 por Grupo de Estudos de Análise Cartográfica do Discurso

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